12/12/2012
Ciclo fechado
A Lwart Lubrificantes apresentou sua nova planta e anunciou o inicio de operação da nova linha de produção
Lubgrax

Reinvestir nos negócios do grupo é uma tradição mantida pela terceira geração de proprietários da Lwart. Só para ilustrar, nos últimos três anos foram realocados R$500 milhões no lançamento de produtos, modernização de processos e expansão. Desse volume, R$230 milhões foram gastos na implantação de uma nova linha de produção, voltada à transformação de óleo usado em óleo mineral básico do Grupo II.

Isso coloca o Brasil entre os poucos países com tecnologia com tecnologia para transformar óleo lubrificante usado em produto de alta qualidade em razão dos altos índices de pureza e desempenho.

Trata-se de um processo que fecha o ciclo de sustentabilidade à medida que reaproveita um resíduo perigoso e o transforma novamente em um produto nobre, que é a principal matéria-prima para a formulação de óleo lubrificante.

De acordo com o diretor-presidente da Lwart Lubrificantes, Thiago Trecenti, a nova linha, que abriga o Projeto H, tem capacidade para processar 150 mil m³ de óleo lubrificante usado por ano e gerar 110 mil m³ de óleo básico/ano. Trata-se de um produto com qualidade superior, que atende as especificações do American Pretoleum Institute (API) para o Grupo II. “O produto está em fase de teste e aprovação e a expectativa é colocar todo o volume produzido no mercado brasileiro”, informa Trecenti, acrescentando que a intenção é substituir a importação do produto, que atualmente não é produzido localmente. Entre operação e manutenção, a nova linha de produção – denominada Linha 2 – emprega 115  colaboradores.

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Projeto H

Iniciado há quatro anos o Projeto H iniciou depois de muita pesquisa, o que fez com que a Lwart Lubrificantes firmasse parceria com a americana Chemical Engineering Partners para trazer ao País a tecnologia do hidrotratamento (daí o uso da inicial H), processo químico por meio do qual o hidrogênio reage na presença de um catalisador, removendo contaminantes e impurezas da estrutura molecular dos hidrocarbonetos que compõem o óleo básico, resultando num produto de melhor qualidade. Com o acordo, a Lwart obteve a transferência de tecnologia e assistência técnica na implantação da fábrica.

Conforme Trecenti, o projeto levou em consideração as diferenças existentes entre os óleos usados brasileiros e os americanos e europeus. O produto nacional apresenta maiores teores de enxofre e metais e teores mais baixos de hidrocarbonetos saturados. “A fábrica gerará menos produtos de baixo valor agregado e eliminará a necessidade de utilização de matérias-primas tóxicas, como o ácido sulfúrico”, explica. A Linha 2 produzirá as frações mais procuradas pelo mercado, de acordo com o diretor-geral da Lwart Lubrificantes: neutro leve, neutro médio e neutro pesado.

A nova produção permite à Lwart converter os resíduos em produtos nobres e economizar recursos não-renováveis oriundos do petróleo, sem contar a economia de divisas para o Brasil, uma vez que o País não é autossuficiente na produção de óleo básico. “Cada ano o volume de importação de óleo básico aumenta. Em 2011, 45% do suprimento do mercado doméstico vieram do exterior e 40% da produção local. Os restantes 15% vieram do rerrefino”, esclarece, informando que o volume de importação já ultrapassou o produzido pelas refinarias da Petrobras. “Quanto mais conseguirmos coletar, rerrefinar e colocar no mercado, mais contribuiremos para o desenvolvimento sustentável do País”, destaca.

Para comprovar o apelo ecológico desta nova produção ele cita o “Efeito Valvoline” que foi a primeira grande empresa do mercado internacional a lançar um produto, o NextGen, que utilizou o óleo básico rerrefinado em 2011. “Esse produto da Valvoline está tendo uma ótima aceitação e eles deram para o NextGen a mesma garantia que é concedida para os óleos de primeiro refino. Por isso acredito que isso deve acabar indo para outros produtos também”.

 

O rerrefino

O investimento de R$ 230 milhões na construção da nova unidade, que se encontra totalmente automatizada, está alinhado à Posição de referência do Brasil no setor de rerrefino. O País, que tem bom índice de coleta de óleo lubrificante usado, possui uma das legislações mais modernas, que define o rerrefino como a única destinação deste resíduo, regido pela Resolução Nº 362/05 do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

O rerrefino ganha cada vez mais importância no mercado brasileiro a medida que vários setores da economia vêm buscando enquadramento às exigências ditadas pela recente “Política Nacional de Resíduos Sólidos”, enquanto o setor de lubrificantes já é referência neste cenário em função dos muitos anos de boas práticas focadas em logística reversa.

A Lwart Lubrificantes atua no setor de coleta de rerrefino de óleo lubrificantes usado há 37 anos, acompanhando de perto a evolução da demanda no mercado de óleos lubrificantes por óleos minerais básicos de alta qualidade. “As tecnologias de rerrefino se desenvolveram muito nas últimas décadas no exterior. Por isso, procuramos inovar, trazer para o País tecnologia de ponta e investir em uma nova linha de produção para desenvolver produtos de alto desempenho. Assim, fechamos o ciclo de vida do óleo básico, oferecendo ao mercado o que há de melhor no setor”, finaliza Thiago Trecenti.

Hoje, a empresa maior companhia de coleta e rerrefino da América Latina, com previsão de coleta em 2012 de 150 mil m³ de óleos usados. Para isso conta com 15 centros de coleta distribuídos pelo País, frota própria de 365 veículos de coleta, com capacidades diferentes, indo de 2 mil até 40 mil litros, duas unidades industriais e três linhas de produção – duas em Lençois Paulista e uma em Feira de Santana, na Bahia. No total, emprega 960 colaboradores, sendo 840 diretos e 120 terceirizados. A previsão de faturamento de R$250 milhões em 2012.

O Grupo Lwart

Sediado em Lençois Paulista (SP) o Grupo Lwart é 100% nacional e de origem familiar, que já está na terceira geração. Hoje quem encabeça o grupo é o presidente Carlos Trecenti, que pertence a segunda geração da família, sendo Thiago da terceira geração. “Costumo dizer que nossa origem possui duas histórias. Uma iniciada nos anos 50 quando os quatro irmãos da família Trecenti, Luís, Wilson, Alberto e Renato, criaram uma empresa para atuar na indústria mecânica, como caldeiraria, manutenção, estrutura metálica, entre outros. Já, em 1975, ocorreu a fundação, propriamente dita, com a criação da Lwart Lubrificantes, que originou o grupo atual”, relata Carlos Trecenti.

Da Lwart Lubrificantes outros dois negócios foram surgindo com o tempo. O primeiro foi a coleta e rerrefino de óleo usado, produção de celulose branqueada de eucalipto, iniciada em 1986 com a criação da Lwarcel. Já, em 1998, o grupo desenvolveu sua empresa mais nova, a Lwart Química que tem como principal produto os impermeabilizantes, sendo responsável pela produção de mantas asfálticas, além de uma ampla gama de soluções liquidas, chegando a mais de 200 produtos.

Empresa inteligente, o grupo hoje é autossuficiente em vapor e energia elétrica – que são produzidos pela Lwarcel de fontes renováveis.

O Grupo deve faturar R$ 780 milhões em 2012 e emprega atualmente 2,9 mil funcionários, dos quais 900 são terceirizados. “Temos por política da empresa e da família de sempre reinvestir. Desde o começo a maior parte dos recursos gerados foram reinvestidos em crescimento, novos produtos e processos mais modernos. Essa tradição continua e tende a continuar e como exemplo disso foi que nos últimos três anos destinamos R$ 500 milhões em nossos três negócios”.

Sustentabilidade

Além de ter como fundamento o compromisso com a ecologia, o Grupo também não esquece o lado social da sustentabilidade. Dessa forma, a companhia possui um forte compromisso com a comunidade a seu redor através de patrocínios, doações e apoio a entidades. De acordo com o presidente, este investimento social já vem de décadas e destaca os projetos Escola e Líderes.

O Projeto Escola está completando 15 anos e é voltado para jovens de 12, 13 anos. “Este projeto nasceu depois que constatamos que uma porcentagem pequena dos jovens da comunidade, após completarem o ensino do 2º grau, iam para uma faculdade. Com isso, começamos a trazer eles para mostrarmos os potenciais de carreira que eles tem a disposição na região e orientarmos que ele pelo menos faça um curso técnico, mostrando que eles precisam continuar estudando”, informa ele, completando que o projeto já atingiu 18 mil jovens até o momento. “Acreditamos que com isso melhoramos o nível de escolaridade do município”.

Já, o Projeto Líderes é direcionado a jovens na faixa de 14 anos, onde são atingidos cerca de 30 adolescentes por ano buscando atingir a capacidade de liderança de cada um deles. Até o momento, participaram do programa cerca de 300 jovens ao longo de 10 anos que hoje idealizaram e conduzem mais de uma dúzia de projetos na comunidade. “A ideia é gerar uma nova liderança e uma liderança positiva, o que vai de encontro ao nosso foco de valorização das pessoas”, finaliza Carlos.

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