22/07/2014
Mercado de lubrificantes no Brasil poderá crescer nos próximos cinco anos
Sergio Rebêlo, sócio-diretor, da Factor-Kline, destacou que a estimativa é na ordem de 2% a 2,5%
Lubgrax

Afiliada a The Kline Group, a Factor-Kline é uma empresa que fornece serviços de consultoria estratégica de negócios, pesquisas de mercado e relatórios de inteligência competitiva para clientes de segmentos selecionados na América do Sul. No Brasil, sua trajetória se iniciou a aproximadamente 17 anos, sendo focada em 4 grandes segmentos de mercado: Energia, Química, Saúde e Personal Care. 

À frente da Factor-Kline, Sergio Rebêlo, sócio diretor, em entrevista exclusiva para a Revista Lubgrax, explicou como nasceu a Factor-Kline e a parceria com a Kline & Co, empresa americana com uma história de mais de 50 anos e líder global nas áreas de consultoria de negócios e inteligência de mercado. “O nosso modelo de consultoria difere em muito das consultorias de perfil generalista. E isso nos capacita a entender mais rapidamente e  de forma mais profunda  as oportunidades e desafios dos nossos clientes”, esclareceu.

A divisão de pesquisa de mercado da Kline conduz cerca de  40 a 60 estudos sindicalizados (multiclientes) globais por ano, mensurando mercados, identificando tendências e projetando cenários. Desses, cerca de 15 incluem Brasil e América do Sul. “Essa base de conhecimento global  é  transferida para nossa área de estudos estratégicos proprietários e de consultoria de gestão, que tem foco nas áreas de Estratégia, Inovação, Fusão e Aquisições e Melhorias Operacionais”, contou.

No segmento de energia, mais especificamente na cadeia de valor  de lubrificantes, a Factor-Kline atua com as principais  empresas nacionais e multinacionais atuantes no Brasil, incluindo  fornecedores de componentes e químicos, aditivos, basestocks, lubrificantes acabados, ceras,  parafinas , entre outros produtos e mercados  correlatos. “Temos muito orgulho da nossa base de clientes /parceiros nesses segmentos. É um privilégio atuar e assistir com leque tão  importante de players na cadeia de lubes. A natureza dos serviços é  abrangente e inclui  desde empresas  estrangeiras avaliando oportunidades locais à empresas nacionais em processo de internacionalização, passando por projetos de estratégia, m&a, revisão de estruturas de distribuição, estratégias comerciais e planos de negócios para novas plantas”.

Rebêlo falou ainda sobre o posicionamento atual do nosso país, citou os obstáculos enfrentados tanto pela Factor quanto pelas suas parceiras e fez projeções negativas em relação aos setores industrial e automotivo. “Crescer com geração de valor no atual  ambiente será desafiador”. Para ele, isso ocorrerá em função do menor crescimento esperado para o mercado,  maior competição, além de outros fatores como pressão por custo de matérias-primas, impulsionadas por um câmbio mais desvalorizado e pela valorização do preço do petróleo. Sendo assim, o “ano não será fácil”, previu.

1) Revista Lubgrax: Conte- me como surgiu a Factor de Solução e a sua relação com a Group Kline ?

Sergio Rebêlo: Em seu escopo global, a Kline&Co, empresa norte americana, não tinha uma base na América do Sul. Ou seja, como era necessário ter uma atuação dentro dessa área, houve a integração da Factor-Kline. Estamos no País há cerca de 17 anos, via associação com   a Factor de Solução Consultoria e Participações. Nosso negócio é ajudar nossos clientes na tomada de decisões críticas, que tenham impacto relevante para suas empresas. Acreditamos que o mercado está de tal forma sofisticado que uma consultoria de perfil generalista não consegue alcançar, em um tempo e custos razoáveis, a dimensão e profundidade  das oportunidades e desafios que os nossos clientes enfrentam. Por isso decidimos desde sempre pela  especialização, focalizando em alguns segmentos específicos, dentre os quais se destaca o segmento de energia, em especial lubes e correlatos. Ao fazê-lo queremos crer que temos uma base inicial de conhecimento que praticamente elimina a curva de aprendizado normalmente demandada  por uma empresa que não conheça a fundo as particularidades de um determinado mercado. Isso também nos ajuda na identificação ativa de oportunidades para nossos clientes.  

2) Revista Lubgrax: Os procedimentos são padronizados ou mudam conforme a necessidade de informação e do local ?

Sergio Rebêlo: Realizamos projetos proprietários que são àqueles feitos de acordo com a demanda de cada cliente especifico. A metodologia e a abordagem variam muito em função da natureza do desafio. Na área de pesquisa de mercado e de estudos sindicalizados, a base é sempre pesquisa primária com principais participantes dos mercados/segmentos em estudo.

3) Revista Lubgrax: Qual é a aderência do trabalho da Factor-Kline no mercado e como isso é realizado ?

Sergio Rebêlo: Nossa aderência é  com as oportunidades e desafios enfrentados pelos nossos clientes. Temos a base do conhecimento, estamos sempre desenvolvendo pesquisas para entender para onde caminha o mercado, os concorrentes e as novas tecnologias. Mas, a forma como alavancamos esse conhecimento depende dos desafios específicos dos nossos clientes. O ambiente externo (mercado) guarda suas oportunidades e desafios mas eles não são igualmente disponíveis para todas as empresas, em última análise isso (a apropriação /monetização dessas oportunidades) depende dos  recursos e capacitações que cada  empresa  possui ou pode eventualmente desenvolver. Juntar essas duas variáveis é um desafio bastante mais complexo do que nos fazem acreditar os manuais de estratégia.

4)  Revista Lubgrax: Dentro do escopo global, são as empresas multinacionais que possuem uma maior atuação junto a Factor-Kline ?

Sergio Rebêlo: Nossa base de clientes é de 40% empresas multinacionais de origem estrangeira e 60% empresas nacionais.

5) Revista Lubgrax: No segmento dos lubrificantes, quais sãos os países que mais investem em pesquisas e em inteligências de negócios ?

Sergio Rebêlo: O negócio de lubrificantes (cadeia de valor) é um mercado essencialmente global, dominado por empresas multinacionais. Os  maiores mercados com certeza atraem os maiores investimentos. Desta forma se sobressaem países como Estados Unidos, China e Japão. Mas esses investimentos são compartilhados pelas operações dessas empresas em todo o mundo.

6) Revista Lubgrax: Em relação a participação do Brasil no setor, qual é o seu posicionamento, tomando como base os BRICs (grupo que inclui Brasil, China, Rússia, África do Sul e Índia) ? 

Sergio Rebêlo: O Brasil responde tanto no mercado de lubrificantes quanto de óleo básico por algo  em torno de 3% do mercado mundial. O País apresentou um crescimento  muito rápido nos últimos anos, e hoje já é o sexto maior mercado do mundo de lubrificantes acabados. Em óleos básicos é um importante importador. Isso desperta o interesse de players internacionais,  em particular se considerarmos o marasmo dos mercados desenvolvidos nos últimos anos.

7) Revista Lubgrax: As diretrizes tomadas pela Petrobras faz com que ela esteja no caminho certo. Ou seja, mesmo diante de uma turbulência no setor, ela ainda tem uma grande atuação no mercado ?

Sergio Rebêlo: A Petrobras, através da BR,  é líder de mercado em lubrificantes. Essa liderança foi mantida ao longo dos últimos anos com uma maior dificuldade do que outrora. Mas, ela ainda é líder inconteste e dá sinais que lutará com todas as forças para manter essa posição. Todavia, o mercado e os competidores se sofisticaram muito, resultando em uma competição que ficou muito mais dura e, isso tem se refletido na perda de participação de mercado de algumas empresas. No entanto, a BR tem sido bastante agressiva em ações comerciais e promocionais para  recuperação de volumes.

8) Revista Lubgrax: Qual é a projeção para esse ano em relação aos setores industrial e automotivo ?

Sergio Rebêlo: Temos uma visão relativamente pessimista para o mercado de lubrificantes em 2014 e 2015. No final do ano passado quando apresentei nossas projeções de crescimento de mercado num evento internacional realizado em Nova Iorque, muitos acharam que eu estava exagerando. Hoje, acho que fui até otimista. Historicamente esse segmento apresenta um crescimento vigoroso, mas temo que  esse ano e, certamente, nos  próximos um ou dois anos, o setor não entregará os mesmos resultados dos últimos anos. Trabalhamos com uma taxa anual composta de crescimento do mercado de lubrificantes no Brasil para os próximos 5 anos da ordem de 2%-2.5%. Esse ano talvez não cheguemos nem a esse patamar. Vemos problemas tanto no segmento automotivo como industrial. A salvação da lavoura, desculpe o trocadilho, é o setor agrícola. Além disso, a competição está muito mais feroz e existe importante pressão de custos de matérias-primas, além de embalagens, puxadas por altas no preço do petróleo e um câmbio mais desvalorizado. Crescer com geração de valor nesse ambiente será desafiador. O ano não será fácil e muitas empresas já começaram a rever para baixo suas projeções e orçamentos .

9) Revista Lubgrax: Qual é a razão que leva as empresas a procurarem a ajuda de uma consultoria feita pela Factor-Kline ?

Sergio Rebêlo: A grande maioria das empresas trabalha com equipes muito mais enxutas que no passado e,  ao mesmo tempo, a competição é maior e mais especializada. Os mercados são mais fragmentados, a velocidade da mudança é incrivelmente maior, os desafios mais complexos. Por outro lado, as cobranças por resultados e os objetivos que elas (empresas) se impõe são em geral mais e mais ambiciosos. Esse não é necessariamente um jogo onde todos ganham, principalmente quando o mercado não cresce ou apresenta um avanço moderado. Em um mercado estagnado ou com baixo crescimento, para que alguém cresça alguém tem que estar perdendo. Os líderes dessas empresas  precisam de parceiros que conheçam a fundo a dinâmica dessas indústrias para ajudá-los a identificar e monitorar oportunidades e desafios, priorizar áreas de atuação e se organizarem para explorarem as oportunidades que terão mais  impacto nos resultados de suas empresas.

10) Revista Lubgrax: Quais são os obstáculos enfrentados tanto pela empresa quanto pelas suas parceiras para que ambos possam atender as expectativas do mercado de lubrificantes ?

Sergio Rebêlo: Cada cliente tem sua dose particular de desafios. Acho que o principal nesse ano será entregar valor em um mercado que cresce muito menos, é mais competitivo e tem pressões importantes de custos (nesse cenário, repassar preços será ainda mais difícil). Não será fácil para ninguém mas as perspectivas de longo prazo continuam muito positivas. O mercado brasileiro  ainda é, sob vários aspectos, “muito volume “ e “pouco valor “, mas vai mudar ...

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