03/03/2016
É o velho continente alterando suas maneiras velhas, e como isso afeta a Indústria de Basestock de Lubrificantes?
A desaceleração econômica, combinado com o excesso de capacidade na indústria de basestocks e preços deprimidos do petróleo, apresentam algumas incertezas para os fornecedores de basestocks europeus
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A economia mundial cresceu 2,4% em 2015, de acordo com a Economist Intelligence Unit. Os mercados emergentes como China, Índia, Brasil, Rússia e África do Sul, que impulsionando o crescimento econômico global desde a recessão de 2009, foram perdendo força desde meados de 2014, em contraste com as economias desenvolvidas, que aceleraram em 2015.

No entanto, hoje, após anos de rápido crescimento, o conjunto das economias em desenvolvimento respondem por uma fatia consideravelmente maior da economia global, e uma desaceleração mais prolongada em todos estes mercados trará sérias implicações para a economia mundial.

A desaceleração econômica, combinado com o excesso de capacidade na indústria de basestocks e preços deprimidos do petróleo, apresentam algumas incertezas essenciais para os fornecedores de basestocks europeus, levantando algumas perguntas:

  • Como isso se traduz para a indústria de basestocks?
  • Como meia década de baixo crescimento reformulou a indústria de basestocks na Europa?
  • Como o fechamento e modernização recente de fábricas de basestocks irão mudar a indústria no futuro?

No início da crise do euro, durante as discussões da Kline com produtores europeus do Grupo API I de basestock, uma visão era bastante comum: “esperar por tempos melhores”. Essencialmente, todo mundo esperava que a demanda fosse atingir os níveis pré-2009. Para enfrentar as condições adversas de mercado, fornecedores de basestocks têm tomado várias medidas. Alguns revisaram processos para otimizar a produção de produtos de maior valor, como neutros pesados, brightstocks, e ceras, enquanto outros apenas reduziram as taxas de utilização de capacidade. De 2011 a 2014, as fábricas de basestocks Grupo API I consistentemente relataram uma utilização média de capacidade inferior a 70%, em alguns momentos reais baixas ainda, o que torna difícil para algumas fábricas sustentarem suas operações no longo prazo.

Uma menor demanda para o Grupo I, devido à obsolescência técnica e crescente concorrência de excedente de basestocks nos Grupos II e III provocou um número de fechamentos de plantas Grupo I, incluindo BP Coryton (Reino Unido), a CEPSA (Espanha), Shell Grassbrook (Alemanha), e Petroplus (França). A Essar, que adquiriu a fábrica de basestocks da Shell em Stanlow (Reino Unido) 2011, anunciou o seu encerramento em 2013. A FortInvest, que operava uma fábrica de Grupo I em Orsk (Rússia), encerrou suas atividades em 2013. Outro encerramento ocorreu na Ucrânia, onde a fábrica Ukrtatnafta de Grupo I foi fechada em 2013. Em 2015, mais fechamentos de fábricas de Grupo I foram anunciados, incluindo Colas (Dunkirk, França), Shell (Pernis, Holanda) e Lukoil (Nizhny Novgorod, Rússia). No quarto trimestre de 2015, a Gunvor Group anunciou que estava em fase final de negociações para aquisição da refinaria da Kuwait Petroleum International em Rotterdam, Holanda. Foi anunciado publicamente que instalação de basestock Grupo I nesta refinaria seria encerrada. Além disso, a fábrica Grupo I em Hamburgo/Harburg, Alemanha, adquirida pela Nynas, está sendo modificada para produzir basestock naftênicos.

Esta série de paradas/fechamentos de fábricas de Grupo API I foram provocadas (principalmente) pelo declínio de demanda de óleo base do Grupo API I, excesso de oferta de basestocks premium, e comoditização da produção de basestocks (para análise em profundidade da Kline sobre este assunto, consulte a páginahttp://www.klinegroup.com/articles/margin_levers.asp).

Em 2015, com a melhoria do crescimento econômico na Zona do Euro e na UE em geral, pode-se perguntar se "esperar por tempos melhores" valeu a pena. Com as taxas de utilização de capacidade bem acima do período 2011-2014, vários produtores de basestocks europeus reportaram resultados muito saudáveis em 2015, alguns até mesmo classificaram 2015 como o melhor ano desde 2008. Margens de basestocks do Grupo I na Europa naturalmente aumentaram em 2015 como reflexo do aumento das taxas de utilização da capacidade (para mais informações sobre este assunto, consulte a visão da Kline http://www.klinegroup.com/articles/margin_levers2.asp). No entanto, ainda é incerto quanto tempo esse período de margens operacionais melhores irá durar.

Um fator decisivo podem ser os planos da ExxonMobil na Europa. No primeiro trimestre de 2015, a ExxonMobil anunciou seus planos para construir uma fábrica de API Grupo II em grande escala em Rotterdam, Holanda, em 2018. Oficialmente, as capacidades de produção não foram declaradas, mas fontes do setor acreditam que a nova fábrica terá uma capacidade de produção de cerca de 0,9-1,0 milhões de toneladas de basestocks por ano. Curiosamente, esta planta será a quarta fábrica operada pela ExxonMobil na Europa, juntamente com as plantas em Fawley (Reino Unido), Augusta (Itália), e Port-Jerome (França) - todas as três são fábricas de basestocks de Grupo API I. Portanto, os especialistas da indústria estão especulando se a ExxonMobil fechará alguma(s) de suas fábricas de Grupo I na Europa, tendo em conta a grande fábrica de Grupo II que está sendo considerada. A concretização desses planos pode representar um desafio para a Chevron. A empresa tem crescido sua presença no mercado europeu recentemente. No entanto, isso também pode definitivamente catalisar a demanda de Grupo II na Europa.

Desde 2008, os fornecedores de basestocks russos como Rosneft, Lukoil, Tatneft e Gazprom-Slavneft anunciaram atualizações de plantas de Grupo API I para a produção de basestocks premium. No entanto, os prazos foram continuamente adiados e as melhorias não se concretizaram, até recentemente, em janeiro de 2015, quando a Tatneft finalizou uma planta de 190.000 toneladas de Grupo API II e III de sua fábrica em Nizhnekamsk. Companhias petrolíferas russas estão finalmente caminhando para a modernização das suas instalações de basestocks (da era soviética). A atualização da primeira fase em Novo-Kuibyshev da Rosneft está prevista para ser concluída durante 2016 - 200.000 toneladas do Grupo API II por ano. Outras atualizações estão previstas para entrar em operação nos próximos cinco anos, incluindo Rosneft, Gazprom-Slavneft e Lukoil.

Ao longo dos últimos 10 anos, o mercado Russo de lubrificantes automotivos acabados tornou-se importante para os fornecedores de lubrificantes internacionais, como a ExxonMobil, BP e Shell. Espera-se que a Rosneft, Lukoil e Gazprom usem seus próprios basestocks premium internamente para misturar produtos automotivos avançados e potencialmente expandir sua carteira sintética. Como conseqüência, o mercado russo, predominantemente Grupo I, deve migrar rapidamente para Grupo II e III.

Preços mais baixos das matérias-primas reforçaram as margens das refinarias e grandes petrolíferas parecem ansiosas para participar da corrida para os basestocks de lubrificantes premium. Além disso, as paradas/fechamentos de plantas Grupo I na Europa, combinados com a retomada da demanda, provocaram alta de preços para especialidades, tais como ceras e brightstocks, mas os produtores parecem ter algumas dificuldades em vender os neutros leves. No momento, só uma coisa é certa: o excesso de fornecimento de basestocks vai continuar. O regresso de tempos melhores, afinal de contas, não parece ser permanente.

 

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