09/09/2016
O tsunami de óleos básicos continua em 2016-2021
Bem como os seus impactos nas margens dos lubrificantes...

Em um dos slides da apresentação da LubeKem no Lubgrax Meeting 2016, com um update das novas capacidades de produção de GII e GIII, ficou claro que o tsunami que começou em 2011 continua em 2016.

Conforme vemos no gráfico 1, este ano temos o start-up de cerca de 2,6mi+ de tons/ano em 5 novas plantas: ADNOC (620 KT, GII/GIII), CNOOC (600 KT, GII) Luberef (715 KT, GII) e Sinopec (2 plantas, 400 KT + 240 KT, ambas GII).

No acumulado 2011-2016(e) temos 10,7mi+ de tons/ano apenas de GII/GIII, e para 2017-2021(e) ainda estão previstas +1,5mi de tons/ano em outras novas plantas no mercado global.

É um momento bastante delicado e o equilíbrio do balanço global de oferta/demanda do mercado de óleos básicos dependerá dos shutdowns futuros de plantas mais velhas e com tecnologias mais antigas, em especial as plantas de GI, porém algumas capacidades de GII também estão ameaçadas.

Gráfico 1 - Novas Capacidades de GII/GIII, em tons/ano

Fonte: LubeKem com base em dados da Argus e LnG

Entre 2011-2016(e) cerca de 5mi de tons/ano de GI foram expurgadas do mercado global, não somente por problemas de competitividade das plantas de óleos básicos, mas em especial pela baixa rentabilidade e margens das refinarias de petróleo na Europa.

A análise dos shutdowns futuros não é tão simples como muitos imaginam, e passa por alguns pontos-chave, em especial:

< >Rentabilidade e margens do refino do petróleo na EuropaRentabilidade da cada planta de GI vs. fatores como mix de produtos, escala, tamanho do mercado local, demanda para lubrificantes industriais, etc.Ritmo de aumento da qualidade dos lubrificantes finais, que demandam cada vez mais GII e GIII nas suas formulações

Gráfico 2 - Preço do petróleo BRENT, em US$/bbl

Fonte: LubeKem com base em dados da EIA STEO Agosto 2016

Os prêmios de preço dos óleos básicos sobre o ULSD são indicadores importantes para a análise das margens das refinarias e também para fins de análise de tendência de preços futuros dos óleos básicos.

Em Julho/2016 (Mês N) os preços dos óleos básicos neutros leves e do GII N220 no mercado internacional foram vendidos com um prêmio de preço sobre o ULSD  (US$ 465/ton em Junho/2016, Mês N-1) de +US$70  à +US$85/mt.

Já os neutros pesados pagaram um prêmio de preço bem mais elevado sobre o ULSD, de +US$ 130 à +US$ 160/ton.

Ainda no mês passado, o BS150 e os óleos básicos GIII (4cSt e 6cSt) pagaram os melhores prêmios de preço de mercado, respectivamente cerca de +US$420/ton e +US$280/mt em comparação com o preço do ULSD de Junho.

Vale notar que com o start-up de novas capacidades a pressão sobre as margens dos óleos básicos GIII é crescente, indicando uma tendência de queda dos prêmios de preço vs. o ULSD, enquanto que no BS150 os prêmios de preço podem subir ainda mais com o fechamento de capacidades de GI, dado que as plantas de GII e GIII não produzem este grade.

Em Julho e Agosto (média até o dia 15) os preços do ULSD apresentou variações, comparadas com o mês de Junho, de respectivamente -US$ 38 e -US$ 55/ton, já apontado a tendência de baixa para os próximos meses.

O cenário segue bastante complexo, mas com o mercado global em claro desbalanço, (1) o preço do petróleo (e não a demanda pelos lubrificantes finais), (2) o oversupply de neutros leves (GI SN150, GII N150), GII 220N e de óleos básicos GIII, (3) o shutdown de plantas de óleos básicos GI vs. o balanço oferta/demanda dos neutros pesados e BS150, e (4) o aumento da qualidade dos lubrificantes finais, devem continuar ditando os preços futuros dos óleos básicos.

A LubeKem manterá seus clientes informados da evolução deste complicado cenário, e com certeza, não faltarão "fortes emoções".

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